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UM NOVO CONTO DE FADAS

Junho 9, 2008

Por Daniella Almeida

 

Era uma vez, uma linda princesa que esperava o amor bater a sua porta num belo cavalo branco… Seu príncipe é aquele homem tão perfeito quanto seu sexo. Experiente, com um bom emprego, romântico sem limites, sem vícios, com espermatozóides virís e que viverá com ela feliz para sempre.

 

Esse era o sonho de muitas mulheres há algumas décadas. Seu príncipe se resumia a experiência sarcástica da imposição de uma sociedade machista. Diante de tudo, veio a revolução feminista. Sejam as adeptas ou não, foi graças a ela que muitas coisas mudaram daquele tempo pra cá.

 

Uma pesquisa feita em abril de 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, revelou que as mulheres cada vez mais estão casadas com homens mais novos. O número de casais brasileiros com esse perfil cresceu 36% em dez anos. No ano de 96 eram 5,6 milhões e hoje atinge os 7,6.

 

Não se trata de uma moda passageira. As mulheres com mais idade sempre namoraram homens mais jovens, mas, graças às conquistas gradativas, muitas tiveram a coragem de assumir que é normal sim, essa categoria compartilhar afeições, modos de ver a vida e de planejar um futuro duradouro com seu parceiro mais novo, por que não? 

 

Após anos afastada das telas, dedicada ao cuidado de suas três filhas e após seu divórcio com o ator Bruce Willis, a atriz Demi Moore realizou uma aparição inesperada, nos braços do ator Ashton Kutcher, 15 anos mais novo que ela. Nos estados unidos, uma de cada três norte-americanas solteiras e maior de 40 anos, sai com um homem mais jovem que ela.

 

Os psicólogos apontam que essa tendência tem muito a ver com o fato de que as mulheres já não buscam mais seu príncipe encantado para toda vida. Ao invés de princesas, elas querem agora ser rainhas. Isentas da obrigação de procriar ou de vincular a um homem o amparo material.

 

Mas, afinal, o que de fato ela deseja? A medida que assumem suas vontades, sem justificar suas decisões em nome do outro, ela se torna cada vez mais livre. Isso pressupõe uma boa dose de autoconhecimento, autonomia emocional e sexual e não apenas financeira dessa forma, a mulher se tornou menos vulnerável a manipulação da opinião alheia.

 

Embora o número de casamentos entre mulheres mais maduras com homens mais novos tenha crescido, o número ainda não supera a situação contrária. Isso prova que apesar da princesa ter virado uma rainha, as rainhas mesmo assim, em algum momento terminam por voltar a serem princesas.