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Por Daniella Almeida

 

 “Sempre ouvi dizer que numa mulher

Não se bate nem com uma flor

Loira ou morena, não importa a cor

Não se bate nem com uma flor”

 

Já exaltava o compositor Capiba, em seu frevo “Cala a boca menino”, os valores femininos ainda pouco explorados em meados da década de 50, época altamente machista onde a mulher era denominada ou como uma “Amélia” ou uma mera “Maria Escandalosa”.

 

Nesse período, ainda não se falava num assunto hoje tão comentado que é a violência contra a mulher. Porém ela sempre existiu só que poucos ousavam falar da problemática em seus trabalhos artísticos, diferentemente do Capiba. O tempo passou, e junto a ele o movimento feminista trouxe várias conquistas relacionadas ao gênero, mas não a ponto de mudar a covardia de muitos homens em agredir nas suas mais variadas formas o intitulado sexo “frágil”.

 

 É alarmante o crescimento de mulheres vítimas da violência. Apesar dos avanços, a situação só piorou. Em Pernambuco nos últimos cinco anos, 1.862 mulheres foram assassinadas. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2008, o total foi de 61 mulheres. Até quando essa situação irá continuar? A grande maioria dos casos é de mulheres entre 21 a 30 anos. Isso revela que as mais jovens são as principais vítimas.

 

Ainda que tardia, a chegada da Lei Maria da Penha em 2006 trouxe um importante avanço ao considerar crime as mais diversas formas de violência como a física, sexual, psicológica, doméstica, patrimonial, moral, entre outras. A principal inovação da Lei foi tipificar as agressões. Até seu surgimento, a lesão corporal sofrida pela mulher era classificada como um simples desentendimento conjugal ou implicância, e a pena máxima aplicada pelos juizados criminais especiais, que eram os que julgavam delitos considerados de baixo potencial ofensivo, era apenas de um ano de detenção ou poderia ser substituído pelo fornecimento de cestas básicas, pagamento de multa ou prestação de serviços comunitários. Além disso, a mulher podia retirar a queixa feita na polícia, o que a fazia submeter-se a pressões e abrir caminhos para a impunidade do agressor. Esses tipos de violência geralmente eram e ainda são praticados, sobretudo, por maridos, filhos, pais e padrastos.

 

Ora, se essas agressões eram apenas rixas, imagine o que era considerado um ato grave? Pelo menos judicialmente isso mudou. A Lei Maria da Penha permite a prisão em flagrante ou preventiva do agressor quando há ameaça à integridade física ou psicológica da vítima. Uma vez feita a denúncia à polícia, não há mais como interromper o inquérito criminal e o processo penal. Hoje, a responsabilidade pelo julgamento não cabe mais aos juizados especiais, mas às varas criminais convencionais, e, nos casos mais urgentes, o juiz tem até 48 horas para apreciar o inquérito e determinar as providências a serem tomadas pela polícia.

 

Diante dos inúmeros casos, as delegacias da mulher também surgem para suprir essa necessidade e apoiar o gênero em seus momentos mais que delicados, dando também o apoio psicossocial às vítimas. Cestas básicas e multas não são mais permitidas como advertência e a pena para esse crime é de 3 anos.

 

Essa lei chega a fim de reparar as injustiças incididas há muito tempo, mas, apesar disso, elas ainda ocorrem só que de forma camuflada. Contudo, o homem que nos dias de hoje pensar em agredir, com certeza, refletirá duas vezes antes de discriminar, oprimir, humilhar e violar mais do que a vida de uma mulher, os direitos cabíveis a todo ser humano.

 

A brincadeira do bem me quer, mal me quer, na verdade nunca existiu. Pelo menos no que diz respeito a esperar isso dos outros, como a simpatia sugere. Deve-se sim pensar nisso, mas, com o pensamento voltado para si mesmo. Você mulher, realmente bem se quer?

Por Daniella Almeida

 

Era uma vez, uma linda princesa que esperava o amor bater a sua porta num belo cavalo branco… Seu príncipe é aquele homem tão perfeito quanto seu sexo. Experiente, com um bom emprego, romântico sem limites, sem vícios, com espermatozóides virís e que viverá com ela feliz para sempre.

 

Esse era o sonho de muitas mulheres há algumas décadas. Seu príncipe se resumia a experiência sarcástica da imposição de uma sociedade machista. Diante de tudo, veio a revolução feminista. Sejam as adeptas ou não, foi graças a ela que muitas coisas mudaram daquele tempo pra cá.

 

Uma pesquisa feita em abril de 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, revelou que as mulheres cada vez mais estão casadas com homens mais novos. O número de casais brasileiros com esse perfil cresceu 36% em dez anos. No ano de 96 eram 5,6 milhões e hoje atinge os 7,6.

 

Não se trata de uma moda passageira. As mulheres com mais idade sempre namoraram homens mais jovens, mas, graças às conquistas gradativas, muitas tiveram a coragem de assumir que é normal sim, essa categoria compartilhar afeições, modos de ver a vida e de planejar um futuro duradouro com seu parceiro mais novo, por que não? 

 

Após anos afastada das telas, dedicada ao cuidado de suas três filhas e após seu divórcio com o ator Bruce Willis, a atriz Demi Moore realizou uma aparição inesperada, nos braços do ator Ashton Kutcher, 15 anos mais novo que ela. Nos estados unidos, uma de cada três norte-americanas solteiras e maior de 40 anos, sai com um homem mais jovem que ela.

 

Os psicólogos apontam que essa tendência tem muito a ver com o fato de que as mulheres já não buscam mais seu príncipe encantado para toda vida. Ao invés de princesas, elas querem agora ser rainhas. Isentas da obrigação de procriar ou de vincular a um homem o amparo material.

 

Mas, afinal, o que de fato ela deseja? A medida que assumem suas vontades, sem justificar suas decisões em nome do outro, ela se torna cada vez mais livre. Isso pressupõe uma boa dose de autoconhecimento, autonomia emocional e sexual e não apenas financeira dessa forma, a mulher se tornou menos vulnerável a manipulação da opinião alheia.

 

Embora o número de casamentos entre mulheres mais maduras com homens mais novos tenha crescido, o número ainda não supera a situação contrária. Isso prova que apesar da princesa ter virado uma rainha, as rainhas mesmo assim, em algum momento terminam por voltar a serem princesas.